segunda-feira, 28 de junho de 2010

Tragédia shakesperiana na África do Sul

Finalmente o confronto entre alemães e ingleses teve um vencedor em noventa minutos. Nos quatro duelos anteriores em Copas, o empate havia sido o resultado do tempo normal.

Na decisão de 66, os ingleses venceram na prorrogação; quatro anos depois, a vingança alemã, com vitória na prorrogação por 1 x 0.

Em 82, num triangular da segunda fase, empate por 0 x 0 sem prorrogação (mas os alemães se classificaram para a semifinal); e em 90, empate por 1 x 1 no tempo normal, 0 x 0 na prorrogação e vitória alemã nos penais.

A vitória no jogo de ontem, em Bloenfontein, como se vê, ampliou o domínio germânico sobre os bretões. E que vitória! 4 x 1 e um show de bola de Ozil, Müller, Podolski e Klose. Por enquanto, o melhor quadrado de meio e ataque desta Copa. Superior inclusive a Di Maria, Messi, Tevez e Higuain.

Com dois gols ainda na etapa inicial, a Alemanha destruiu o frágil sistema tático montado pelo italiano Fabio Capello. Tomou um susto no gol de Upson e quase viu sua superioridade técnica e tática em campo de nada valer no golaço de Lampard.

Golaço que valeu nas bolsas de apostas em Londres (numa decisão bastante elogiável das casas de apostas inglesas, quem apostou que Lampard faria um gol recebeu o prêmio merecido), mas não dentro de campo.

Diria o maior autor da língua inglesa: "Há mais mistérios entre o céu e a terra do que pensa nossa vã filosofia".

É mesmo difícil acreditar que um lance tão famoso quanto o gol inglês da final de 66, justamente contra os alemães, tenha se repetido numa Copa.

Só que com uma decisão de arbitragem diferente. Entrou ou não entrou, eis a questão que atormentou por milésimos de segundo o bandeira! Entrou, mas ele não viu.

E a nação de William Shakespeare, após uma Comédia de Erros de jogadores, treinador e arbitragem, viu o sonho do bicampeonato virar A Tempestade.

Com a desvantagem por 2 x 1, os ingleses voltaram ao gramado no segundo tempo dispostos a atacar. Mas não pensaram em defender.

Acertaram a trave, controlaram a posse de bola e pressionaram os alemães nos primeiros minutos. Muito Barulho Por Nada. E em dois contra-ataques, Müller definiu a partida.

A chamada "Golden Generation", geração de ouro com Lampard, Rooney, Ashley Cole, Gerrard, Terry, Heskey, Crouch, Joe Cole e Ferdinand (que, lesionado, fez muita falta ao time na África), foi elogiada pelos britânicos por quase uma década.

Porém, assim como muitas outras grandes gerações do futebol mundial, não viverá a glória de erguer o principal troféu do planeta. Viverá sim a tristeza e a melancolia do fracasso.

Citando outra frase famosa do bardo inglês, "antes ter um epitáfio ruim do que a maledicência durante toda a vida".

Um comentário:

Denise disse...

Dá gosto ler seus comentários!
Muito inteligentes as inserções das obras do grande Shakespeare.
"Ser ou não ser" bom...
You make the diference!
Denise