quarta-feira, 30 de junho de 2010

A magia e a poesia do futebol

“É proibido...

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,...
...É proibido não buscar a felicidade,...
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.”

Versos do poeta chileno Pablo Neruda (foto abaixo). Um craque das letras, admirável, que amarrava as frases com esquemas sin(táticos) e morfo(lógicos) tão belos quanto cativantes.

Dos livros para os gramados, belo e cativante também é o futebol do Brasil. Os dribles de Robinho, o cabeceio seco e certeiro de Juan, os passes de Ramires e o oportunismo de Luiz Fabiano são as palavras da poesia da bola.

Palavras que confundiram os compatriotas do saudoso Neruda. Os chilenos, corajosos, mais uma vez tentaram encarar o Brasil de igual pra igual.

Mais uma vez, fizeram a leitura errada do jogo. Mais uma vez, foram derrotados de maneira incontestável.

Neruda certa vez escreveu: “A verdade é que não há verdade”. Talvez a sentença tenha sido um recado para aqueles que se consideram os donos da mesma, aqueles que acham que suas opiniões expressam a realidade e ponto final.

A verdade, caros leitores, é que Dunga erra, Dunga acerta, mas nós também erramos muitas vezes em nossas avaliações.

A verdade é que a seleção de Dunga pode nem sempre jogar um futebol de contos, crônicas e poemas. Mas a derrota parece ser uma página virada para esse grupo forte e determinado.

Nem lembro qual foi o último tropeço realmente relevante do time verde e amarelo sob o comando de Dunga.

”É proibido não buscar a felicidade... Não pensar que podemos ser melhores”

Esta é a busca de nossa seleção. A teimosia em ser sempre a melhor.

E no jogo diante dos chilenos, aqui em Johannesburgo, Maicon voou pela direita e Michel Bastos teve paciência para esperar a hora certa de atacar pelo lado oposto. Juan e Lúcio foram gigantes na defesa e também deram trabalho no ataque.

O zagueiro da Roma fez mais do que isso. Não recebeu aquele que seria um passe açucarado de Kaká (o meia preferiu o chute e mandou longe do gol) no início da partida, mas aproveitou um escanteio bem batido por Maicon, escrevendo a primeira página de uma brilhante vitória.

Já Kaká, que estava errando passes e perdendo todas as divididas, assim como nos jogos contra a Coreia e Costa do Marfim, redimiu-se dando um passe magistral para Luis Fabiano, também como havia feito contra os africanos.

Robinho e Ramires, em noite inspirada, jogaram o que se espera deles. E o santista ainda marcou o terceiro gol, quebrando um tabu de 40 anos.

Desde o gol de Carlos Alberto Torres, na decisão da Copa de 70, um jogador santista não fazia um gol pela seleção em Copa do Mundo.

Se a bola de futebol, instrumento da paixão de nossos craques, fosse o rosto de uma mulher bonita e insinuante, poderíamos então usar outro belo poema de Neruda para definir o sentimento dos astros da nossa seleção:

Nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

2 comentários:

roger disse...

É Thomaz realmente o Chile veio pra cima do Brasil como se verdadeiramente eles acreditavam que poderiam nos vencer, assim como EUA , Mexico, Paraguai e Uruguai. Observei nessa copa que as seleções acima citadas nos ultimos anos sempre perdem do Brasil mas veja vc Thomaz Chile e Paraguai ficaram na frente da Argentina nas eliminatorias, que a seleção dos sobrinhos do Tio San derrubaram a Esapnha na copa das confederações e quase aprontaram pra cima da seleção canarinho e só para finalizar este longo comentario, o Mexico e o Uruguai são as seleções que mais dão trabalho para o Brasil.
E é por esse pensamento extremamente defensivo que(só para citar um EX:) a Suiça não conseguiu ganhar da horrivel Honduras.

Denise disse...

Que texto lindo, Thomaz!
De uma sensibilidade e lucidez extraordinárias!
Parabéns!