segunda-feira, 21 de junho de 2010

Bons ventos levam a seleção portuguesa


Cristiano Ronaldo tentou uma, duas, três, quatro, cinco vezes... Contando o jogo de estréia, contra a Costa do Marfim, incluindo uma bola na trave, foram sete ou oito tentativas antes da bola entrar.

Parecia que o gol da Coréia do Norte, escancarado e enorme para seus companheiros, virava uma meta de futebol de botão diante de sua quase sempre calibrada mira.

Cheguei a dizer, já na segunda metade do segundo tempo, em comentário durante a transmissão do jogo pela Transamérica FM, que a Copa parecia não estar sorrindo para os craques.

Até então, Ronaldo, Rooney, Messi, Tevez, Kaká, Lampard, Kalou, Robinho, Van Persie, David Villa, Fernando Torres, Xavi e Muntari, entre outras feras, ainda não haviam experimentado o provavelmente inigualável sabor de um gol em Copas.

Só que a história mostra que às vezes o acaso faz o caso. E num lance confuso, quase acrobático, a bola bate nas costas de Ronaldo, passa por cima do craque e fica limpinha para ele descobrir o caminho do gol.

Tudo isso em plena Cidade do Cabo, onde há 522 anos o navegador português Bartolomeu Dias, também quase por acaso, descobriu o Cabo da Boa Esperança, traçando uma rota fundamental para Vasco da Gama, dez anos depois, descobrir o caminho, não do gol, mas das Índias.

O gol acabou com a “tormenta” do atacante do Real Madrid (não resisti ao infame trocadilho com o primeiro nome recebido pelo Cabo descoberto por Dias) e foi apenas a cereja do bolo saboreado com grande apetite pela equipe do técnico Carlos Queiroz.

Uma exibição de gala, diante de um time fraco, que por alguma razão achou hoje que poderia atacar mais do que o normal, sem levar sustos.

Pois a Coréia do Norte pagou caro pela presunção, levando não só sustos, como também sete gols, na maior goleada da história da seleção portuguesa em Copas do Mundo.

Até a partida de hoje, a seleção portuguesa só havia marcado 32 gols em 20 jogos de Copas. Numa única tarde, em apenas 90 minutos, fez mais de um quinto de todos os seus gols na história da competição. Sua média de até então 1,6 gol por partida subiu para 1,85.

Seria essa seleção portuguesa favorita ao título? Acho que ainda não, mas ficou bem claro na tarde de hoje, em Cape Town, que Ronaldo, Tiago, Raul Meireles, Simão, Liédson e cia tem potencial para dar muito trabalho aos verdadeiros favoritos.

Um comentário:

Denise disse...

Excelente texto!
Você sabe tudo!!!