sábado, 11 de outubro de 2008

O Outro Atleta do Século


Boston Garden, 20 de abril de 1986. Os torcedores da casa mal podem acreditar no que vêem: um petulante "camisa 23", recém-chegado à NBA, enfrenta praticamente sozinho uma das maiores equipes da história da Liga Profissional, os Celtics de Larry Bird.

Com uma atuação quase perfeita, um tal Michael Jordan leva o jogo a duas prorrogações e vende caro a inevitável derrota por 135 a 131. Era apenas o quinto jogo de play-off da carreira de Jordan, então com 23 anos. Mesmo assim, ele marcou 63 pontos, um recorde mantido até hoje na Liga. Completamente assombrado com o talento daquele menino, o gigante Larry Bird definiu com transparência o fenômeno que acabara de presenciar. "Deus estava disfarçado de Michael Jordan."

Chamá-lo de Deus talvez seja exagero. Talvez não... A verdade é que, com a aposentadoria de Jordan, o basquetebol voltou a ser um esporte praticado por simples seres humanos. Jordan fez pelo basquete o que Édson Arantes do Nascimento fez pelo futebol. Nem menos, nem mais. Ganhou tudo o que podia, jamais teve rivais à altura, mudou a concepção do marketing esportivo e mostrou que o homem não precisa de asas para voar.

Nascido no dia 17 de fevereiro de 63, no Brooklyn, em Nova York, Jordan foi criado na Carolina do Norte. Quando criança, além de estudar com dedicação a matemática, sua matéria favorita, já dava seus primeiros passos no esporte. Praticava baseball e futebol americano. A dedicação exclusiva ao basquete teve início na Laney High School (curso colegial) em Wilmington (Carolina do Norte).

Alguns anos depois, entrou na Universidade da Carolina do Norte, onde conquistou seu primeiro grande título em 82. Um triunfo bem ao "estilo Jordan". Na decisão do Campeonato Universitário, faltando 15 segundos para o final do jogo, sua equipe perdia por um ponto de diferença para o fortíssimo e tradicional time de Georgetown. Melhor jogador da equipe, Michael aceitou a responsabilidade de decidir, tentando o último arremesso da partida: cesta maravilhosa e título garantido.

Mas o maior desafio estava por vir. E Jordan não se intimidou. Foi aceito na Liga Profissional numa época onde desfilavam pelas quadras estrelas como Kareem Abdul Jabbar, Isiah Thomas, Julius Erwing e Magic Johnson. Com a camisa 23, o garoto do Brooklyn logo foi conquistando seu espaço junto aos grandes ídolos e não demorou para se tornar uma unanimidade.

Foram treze anos de pura magia! Seis títulos conquistados e dezenas de recordes da Liga batidos. Jordan popularizou o basquete profissional ao redor do mundo, virou astro de cinema e gerou lucros exorbitantes para a NBA e patrocinadores. Mais do que isso, mudou a cara de uma das maiores metrópoles do mundo. Chicago não é mais a cidade do vento, a cidade da máfia de Al Capone, a cidade dos maiores prédios do planeta ou do primeiro McDonald's. É simplesmente a terra do basquete. Eternamente a casa do maior atleta que o mundo conheceu.

Michael Jordan, portanto, mudou também a história do esporte, mostrando que o jornal francês L'equip se precipitou ao escolher o atleta do século antes dos anos 90. Não que o rei do futebol Pelé tenha ganho o prêmio injustamente. Mas sem Jordan, a parada ficou mais fácil. Justiça de fato é a divisão da coroa. Afinal de contas, um foi o "Pelé das quadras". O outro, o "Jordan dos gramados".

(Texto de Thomaz Rafael, publicado na revista Leia & Ouça, da Band FM, em 1998)

Um comentário:

Orides disse...

Parabéns pelo blog !!!!

O basquete é tão fascinante quanto ao futebol, é uma pena a NBA tem transmissão em um canal aberto pois seria ótimo.

Abraço de seu grande fã