
Épico, histórico, apoteótico, fantástico... São muitos os adjetivos que podemos usar para descrever a decisão do Campeonato Paulista.
Poucas vezes o sabor do vice-campeonato ficou tão amargo para o time derrotado. Paradoxalmente, poucas vezes uma conquista foi tão merecida pelo time campeão.
O Santos já havia feito história mesmo antes de erguer a taça, com um futebol diferente de tudo o que havíamos visto nos últimos anos.
Mereceu amplamente o título por tudo o que fez na primeira fase, pelas duas lindas e consagradoras vitórias diante do São Paulo na semi-final, pelos doze minutos de brilhantismo mostrado no segundo tempo do primeiro jogo decisivo, pelos dois golaços de Neymar na última partida e pela raça demonstrada por oito gigantes nos minutos derradeiros da competição.
E mereceu o troféu sobretudo por contar com o jogador mais fantástico que surgiu em nossos gramados nos últimos anos.
E não falo nem de Neymar, muito menos de Robinho. Claro, o grande herói do 18º título estadual do Peixe foi Paulo Henrique Ganso.
Épico, apoteótico e fantástico. Os mesmos adjetivos usados no início do texto para caracterizar a partida não são suficientes para explicar a exibição de Ganso no último domingo.
O talentoso meia foi craque quando preciso, foi genial quando necessário, foi líder quando tudo parecia fora de controle e foi até técnico quando o ótimo Dorival Júnior, num momento de total pane, decidiu substituir seu jogador mais lúcido e eficiente.
Ganso olhou para o banco e foi taxativo: não sairia de campo, não poderia deixar de lutar naquele momento.
Petulante, anti-profissional, indisciplinado? Nada disso. Ganso foi simplesmente sensato. Era ele o único atleta de branco que estava prendendo a bola e criando chances no campo de ataque.
Se ele saísse, o Santo André bombardearia o rival nos minutos finais e teria grandes chances de marcar o gol do título.
Dorival Júnior mudou de ideia, Ganso ficou em campo, a bola quase não saiu de seus pés e o troféu foi para a Vila Belmiro. Simples assim.
Ganso foi o dono da bola, o dono do jogo. É o dono do campeonato. E não pode ficar fora da Copa.
Nem ele, nem Neymar. Acabou minha paciência com o técnico Dunga. Teimosia tem limite.
Sou fã do treinador da seleção e acho que o mesmo vem fazendo um ótimo trabalho. Só falta agora coroar este desempenho levando dois craques geniais para a África do Sul.
Que todos os santos iluminem o treinador em sua decisão. Assim como Neymar e especialmente Ganso iluminaram o Santos nesta inesquecível decisão.