domingo, 11 de julho de 2010

Ranking de Gols de Clubes na Copa 2010 - A revanche do Bayern!


Desta vez, o Bayern de Munique derrotou a Inter de Milão. Aliás, derrotou todos os times do planeta.

Com cinco gols de Müller, quatro gols de Klose, um do argentino Demichellis e dois do holandês Robben, o time alemão foi quem mais teve jogadores fazendo gols na Copa da África do Sul.

Curiosamente, o vice-campeão do ranking é a supra-citada equipe italiana, justamente o time que derrotou o Bayern na recente decisão da Liga dos Campeões da Europa.

A Inter teve cinco gols do holandês Sneijder, dois do camaronês Eto'o, um do brasileiro Maicon e um do ganês Muntari: nove no total.

A terceira posição, curiosamente, é do Atlético de Madrid, que aparece assim à frente dos rivais espanhóis Real Madrid e Barcelona. Graças, principalmente, aos cinco gols do uruguaio Forlan.

Bem, vamos então ao ranking completo, atualizado após a decisão e, claro, agora definitivo! Ranking que foi feito inicialmente com absoluta exclusividade pelo blog Gols, Filmes e Canções! Depois, acabou sendo copiado por alguns sites brasileiros.

O que é perfeitamente natural. Afinal de contas, modéstia à parte, a ideia é bem bacana e sacia a curiosidade de torcedores fanáticos que devoram estatísticas e curiosidades sobre o maior campeonato de futebol do planeta!

Lembrando novamente que ao lado dos nomes dos times, aparece entre parênteses o nome da seleção pela qual o clube teve um jogador fazendo gol.

Em alguns casos, quando a equipe é pouco ou nada conhecida, aparece ao lado do nome, após a barra, o país de origem da agremiação.

12 gols

Bayern Munique (Alemanha-9, Argentina e Holanda-2)

9 gols

Internazionale (Brasil, Holanda-5, Camarões-2 e Gana)

8 gols

Atlético de Madrid (Uruguai-5 e Portugal-3)

5 gols

Ajax (Uruguai-3, Sérvia e Dinamarca)
Barcelona (Espanha-3, México e Costa do Marfim)
Real Madrid (Argentina-4 e Portugal)
Valência (Espanha-5)

4 gols

Sevilla (Brasil-3 e Costa do Marfim)

3 gols

Ankaraguçu/Turquia (Eslováquia-3)
Chelsea (França e Costa do Marfim-2)
CSKA Moscou (Japão-2 e Chile)
Los Angeles Galaxy (EUA-3)
Rennes (Gana-3)

2 gols

Alkmaar (Austrália-2)
Almeria (Nigéria-2)
Arsenal (Dinamarca e Holanda)
Bolton (Coréia do Sul-2)
Chivas (México-2)
Colonia (Alemanha-2)
Everton (Nigéria e Austrália)
Feyenoord (Dinamarca e Holanda)
Galatasaray (Brasil-2)
Juventus (Itália-2)
Kashima Antlers (Coreia do Sul-2)
Liverpool (Inglaterra e Holanda)
Manchester City (Argentina-2)
Roma (Brasil e Itália)
Santos (Brasil-2)
Stuttgart (Alemanha-2)
Werder Bremen (Portugal e Alemanha)

1 gol

America do México (Chile)
April 25/CDN (Coréia do Norte)
Auxerre (Eslovênia)
Benfica (Uruguai)
Boca Juniors (Argentina)
Borussia Monchengladbach (EUA)
Brugge (Paraguai)
Fulham (EUA)
Gamba Osaka (Japão)
Gent/Bélgica (Eslovênia)
Gold Coast United/Austrália (Nova Zelândia)
Hamburgo (Alemanha)
Hertha Berlin (Alemanha)
Kaizer Chiefs/África do Sul (África do Sul)
LDU (Paraguai)
Mamelodi Sundowns/África do Sul (África do Sul)
Manchester United (Coréia do Sul)
Midtjylland/Dinamarca (Nova Zelândia)
Milan (Holanda)
Monaco (Coreia do Sul)
Nápoli (Itália)
Olympiakos (Grécia)
Olympique de Marselha (Argentina)
Once Caldas (Chile)
Palermo (Uruguai)
Panathinaikos (Grécia)
Porto (Uruguai)
Portsmouth (Gana)
Saint Étienne (Suíça)
Shimizu Pulse (Japão)
Spartak Trnava/Eslováquia (Eslováquia)
Sporting (Portugal)
Standard Liége (Sérvia)
Sunderland (Paraguai)
Superspot United (África)
Tottenham (Inglaterra)
Veracruz (México)
West Bromwich (Eslovênia)

A primeira vez a gente nunca esquece


Muitas chances de gol criadas, muitas chances incrivelmente desperdiçadas, muita raça, muita luta, muito toque de bola. Não foi uma decisão espetacular, mas foi sim um jogo empolgante.

E a Fúria enfim abraçou o planeta.

Acabou a fama de "amarelona". A Espanha hoje pintou o futebol de vermelho e levantou a mais linda e cobiçada taça do esporte bretão pela primeira vez em sua história. Um título justo pelo que jogou e pelo que tentou jogar neste domingo.

Justo também pelo que a seleção espanhola jogou na competição, mesmo com a derrota na estréia (tornando-se aliás a primeira equipe a conquistar o Mundial com um tropeço na primeira rodada) e com quatro vitórias por 1 x 0 na fase decisiva.

Até porque 1 x 0 não só tem o mesmo valor de um 5 x 0 como é mais bacana do que ganhar nos penais.

E muitas das recentes seleções campeãs, incluindo a Alemanha de 90, o Brasil de 94 e a França de 98, trouxeram na bagagem da bela campanha ao menos um triunfo na disputa por penais. A Espanha não precisou desta “loteria”.

E nem precisaria de prorrogação, caso Villa e Sergio Ramos não tivessem desperdiçado chances incríveis no tempo normal.

Tudo bem, pelo lado holandês, Robben e Mathijsen também perderam oportunidades fantásticas. Mas a Espanha teve mais iniciativa desde os primeiros instantes no já histórico duelo no Soccer City.

Sneijder não decidiu, mas jogou uma bela partida. Iniesta errou mais do que o normal, mas decidiu.

Robben, Xavi e Villa, os outros candidatos a protagonistas da finalíssima, apareceram bastante no jogo, mostraram um pouco de suas virtudes, mas não jogaram tudo o que se esperava deles.

A Holanda havia vencido seus seis jogos anteriores e hoje soube neutralizar em muitos momentos a grande jogada adversária: os toques de bola insinuantes pelo meio, especialmente com Xavi e Iniesta, mas às vezes também com Pedro (quando este recuava) e Xabi Alonso (quando avançava).

Alguém poderá então perguntar: não seria também justo se a Holanda tivesse triunfado?

Talvez não fosse totalmente injusto, mas não seria um desfecho tão belo. A Espanha é menos violenta e mais técnica. Procura mais o ataque e teve um goleador mais eficiente (Villa jogou muito mais que Van Persie).

Afora isso, os times se equivalem no aspecto defensivo, na habilidade de seus meias e atacantes e na eficiência tática. O que explica em parte o equilíbrio em boa parte da partida.

O que não se explica é a “vontade” exagerada de muitos atletas holandeses, que desandaram a bater desde o início do jogo.

Como toda ação tem reação, o time da Península Ibérica também exagerou na dose em alguns momentos.

Mas o excesso de faltas violentas e de cartões não prejudicou o espetáculo. Atrapalhou, no entanto, quem mais fez uso da pancada durante 120 minutos.

O holandês Heitinga foi expulso acertadamente na etapa final da prorrogação. A Espanha, que já vinha dominando o rival, aumentou a pressão com um homem a mais em campo.

E chegou ao gol com o ótimo Iniesta, um dos craques deste Mundial.

Um Mundial, diga-se de passagem, que não teve um Romário, um Ronaldo, um Maradona ou mesmo um Cruyff, que não venceu em 74, mas fez história.

Todavia teve não só Iniesta, mas também Xavi, Forlan, Müller, Sneijder, Oezil, Robben e, vá lá, com um pouco menos de rigor de minha parte, teve também Messi, Luis Fabiano, Luis Suarez, Tiago (ótimo meia português), Donovan e outros.

Foi o Mundial do jogo coletivo, dos bons esquemas táticos e dos jogadores que se multiplicam em campo, casos do atacante holandês Kuit, do zagueiro espanhol Puyol e o do volante alemão Schweinsteiger.

Epílogo

Não sei exatamente como entrará para a história o Mundial da África do Sul. Se um dos melhores ou dos piores dos últimos tempos.

Particularmente, eu gostei bastante. Algumas estrelas deixaram a desejar, assim como algumas seleções. Mas mesmo times que decepcionaram um pouco, como Brasil, Portugal e Argentina, tiveram alguns bons momentos na competição.

O futebol africano também deixou a desejar, mas ao menos um de seus representantes, Gana, foi valente e inspirador.

Chile, Paraguai e Uruguai mostraram serviço, assim como norte-americanos e mexicanos, numa prova de que o futebol eficiente também pode ser jogado do lado esquerdo do Atlântico.

Tivemos alguns excelentes jogos, algumas goleadas históricas e certamente muitos gols e defesas inesquecíveis.

E o que considero muito importante: tivemos um grande campeão, vencendo de maneira limpa e coroando um trabalho fantástico de um grupo diferenciado e um treinador de resultados sensacionais.

A Espanha de Villa, Xavi, Casillas e Iniesta é também a seleção de Vicente Del Bosque, técnico que usou e abusou da categoria de seus comandados, tirando proveito da técnica refinada de uns, da habilidade de outros e da pontaria calibrada de seu principal atacante.

Não quis criar esquemas táticos mirabolantes, facilitando sempre o trabalho de seus atletas dentro das quatro linhas.

Como resultado, a Fúria conseguiu nada menos do que um aproveitamento de 87% de pontos nos 61 jogos que realizou de 2006 (após a Copa da Alemanha) até este domingo.

Foram 52 vitórias, quatro empates e apenas cinco derrotas (três delas no longínquo segundo semestre de 2006).

A Espanha ainda fez dobradinha, ganhando há dois anos a Eurocopa. Apenas a Alemanha, em 72 e 74, havia conseguido ganhar a Copa após vencer a Euro (a França fez o contrário em 98 e 2000, ganhando primeiramente o Mundial).

Não há mesmo como contestar a histórica conquista espanhola.

E é besteira ficar agora tentando colocar defeito nesta fantástica Copa do Mundo. Sei que muitos intelectuais da bola já devem estar fazendo isso. Já este humilde jornalista cheio de defeitos está apenas lamentando o fim de mais um Mundial. E já sonhando com o próximo.

Nos próximos posts, ainda hoje, publicarei minha seleção da Copa e o ranking de gols de clubes.

Até daqui a pouco e parabéns, Espanha!!!

sábado, 10 de julho de 2010

Nos bastidores da notícia - Parte II

Já escrevi algumas vezes que cobrir uma Copa do Mundo é muito mais do que acompanhar a nossa seleção, transmitir jogos, noticiar e comentar os principais fatos do maior evento do futebol mundial.

Estar numa Copa é também poder rever velhos companheiros da imprensa, fazer novos amigos, conhecer antigos e novos ídolos e conviver durante mais de um mês com alguns dos principais nomes da imprensa mundial.

Abaixo, alguns momentos de confraternização nos corredores e estúdios do IBC, o bonito e confortável centro de imprensa internacional da Copa da África do Sul.


Nos estúdios da Rede Globo, com Casagrande (velho companheiro de Transamérica) e os fantásticos narradores Cléber Machado e Luiz Roberto.


Com o sensacional Paulo Soares, o "Amigão" da ESPN Brasil. E não estranhem a bonita camisa que este jornalista está vestindo na foto. Em tempos de Copa do Mundo, abrimos uma exceção para usar camisas de times em locais de trabalho!


Foto histórica no Hotel Mapungubwe, em Johannesburgo. Quase toda a equipe Transamérica reunida em solo sul-africano. Os narradores Éder Luiz, Antonio Edson e Oswaldo Maciel, os repórteres Roberto Carmona, André Galvão e Marco Bello, o apresentador Marcio Bernardes, os comentaristas Henrique Guilherme e José Eduardo Savóia, o diretor superintendente Luiz Guilherme Albuquerque e o operador de som Márcio Sampa, além deste apresentador e blogueiro. Só faltou o craque Neto, mas ele aparecerá em fotos abaixo.


Com o simpático Renato Marsiglia, ex-árbitro e comentarista da Rede Globo


Nos estúdios da Transamérica, também no IBC, com Marco Bello, Roberto Carmona, Oswaldo Pascoal (Rádio Globo), Antonio Edson, Neto e Marcio Bernardes.


Com os amigos da rádio Eldorado/ESPN, no estúdio da mesma: o coordenador Ari Pereira Junior, o âncora Marcelo Di Lallo, o repórter Sergio Loredo, o operador State e o narrador Rogério Vaughan (além de Antonio Edson, da Transamérica FM).


Almoçando no shopping Southgate, com Neto e Antonio Edson.

Mais números sobre a decisão

Espanha x Holanda! Primeira final de Copa dos espanhóis. Terceira dos holandeses. Oitava decisão com duas seleções europeias. Primeira final da história sem a presença de pelo menos um dos quatro maiores finalistas da competição: Brasil (sete vezes finalista), Argentina (quatro), Alemanha (sete) e Itália (seis).

A Holanda repete a façanha das seleções brasileiras de 70 e 2002, que venceram todos os jogos até chegarem à decisão. Outros finalistas que chegaram com 100% de aproveitamento à final foram Argentina (1930), Uruguai (também em 30), Itália (38) e Hungria (54).

Por outro lado, a Espanha mostrou o mesmo poder de recuperação de Alemanha Ocidental (1982), Argentina (1990) e Itália (1994), seleções que perderam na estreia, mas conseguiram dar a volta por cima e chegar à grande decisão.

Sneijder e Villa brigam pelo título e pela artilharia da Copa. Em apenas quatro oportunidades, o campeão do Mundial teve também o artilheiro do torneio: em 34, com o italiano Angelo Schiavo; em 78, com o argentino Mario Kempes; em 82, com o italiano Paolo Rossi; e em 2002, com o brasileiro Ronaldo.

A Holanda jogará neste domingo com o tradicional uniforme laranja. A Espanha terá de jogar de azul.

Em 58, o Brasil conquistou seu primeiro título com seu uniforme de número 2. Com o mesmo azul, a "cor do manto de Nossa Senhora Aparecida", como disse à época o Marechal da Vitória, Paulo Machado de Carvalho.

E um último detalhe interessante: existe a chance de pela primeira vez a Copa do Mundo ser vencida pelo país do campeão do torneio de Wimbledon na mesma temporada. No caso, Espanha e Fernando Nadal.

E por ironia do destino, qual foi até aqui a única equipe que conseguiu bater a Fúria neste Mundial?

A Suíça, de Roger Federer, maior rival de Nadal.




quinta-feira, 8 de julho de 2010

Lavando as mãos

Em muitas décadas do abominável regime político do Apartheid, tão ou mais triste do que a covardia e o preconceito dos antigos líderes africaners do país da Copa foi a neutralidade seguida por grandes nações do Globo.

Especialmente EUA e Inglaterra, parceiros econômicos de longa data dos sul-africanos. Os dois países, que tanto se preocupam historicamente com os mandos e desmandos de ditadores do Oriente Médio, ficaram décadas sem mover uma palha pela libertação de Mandela ou pelo fim do regime maldito.

Seguiram o exemplo de Pôncio Pilatos e ignoraram o sofrimento alheio. A população branca, em sua grande maioria, também lavou as mãos para o problema dos compatriotas negros.

E o que tudo isso tem a ver com futebol, pode a esta altura estar se perguntando o simpático leitor.

A princípio, quase nada. Mas é que a África do Sul foi palco nesta quinta-feira de mais uma lavada de mão histórica.

E desta vez, de nenhum sul-africano branco, muito menos de um lorde inglês. Quem pisou na bola, usando um termo futebolístico para voltarmos a um assunto ligado à bola, foi o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Exatamente como acontece no futebol, a vida política também traz altos e baixos. E tudo pode mudar num único lance.

Pois bem, nosso ilustre chefe de estado havia marcado um golaço recentemente ao dizer que o presidente da CBF deveria ficar apenas oito anos no poder (dois únicos mandatos, portanto).

Porém, durante o lançamento oficial do logotipo (por sinal, muito bem desenhado) da próxima Copa do Mundo (a segunda em solo brasileiro), Lula deu um chute de bico no bom senso.

Após algumas horas de conversa com Ricardo Teixeira, o presidente surpreendentemente adotou outro discurso ao ser indagado pela imprensa sobre a questão.

Limitou-se a dizer que não iria se meter num discussão sobre uma entidade privada. Que tinha problemas maiores com os quais se preocupar

Resumindo, lavou as mãos!

Privada ou não, a CBF não é exatamente um banco ou uma rede de supermercados. Não foi criada por Ricardo Teixeire e nem inventada por nenhum empresário.

Simplesmente surgiu para organizar e representar o esporte mais popular do país. E isso deve ser feito, ora bolas, com democracia.

Não tem o menor cabimento um cidadão controlar o futebol de um país (e um país pentacampeão) por incríveis 21 anos.

"Assim querem as federações de futebol de todos os estados", ainda alegou Lula.

Mas não deveriam querer, presidente. Assim como ninguém deveria querer um terceiro mandato para Lula, seja ele o melhor ou o pior presidente da história.

O continuísmo é terrível na política, no futebol e em tantos outros campos. Ricardo Teixeira já fez bastante pelo futebol brasileiro. Tanto para o bem, quanto para o mal.

É hora de nosso futebol respirar novos ares.

"Comentarista" Bianchi lamenta eliminação precoce do Brasil


Quatro vezes campeão da Libertadores, o técnico argentino Carlos Bianchi é mais uma grande estrela que está à trabalho, mesmo que fora de campo, na Copa da África.

O ex-treinador do Velez Sarsfield (com o qual ganhou sua primeira Libertadores, em 94) e do Boca Juniors (time pelo qual conseguiu os outros três troféus continentais de sua galeria) foi contratado para comentar a Copa pela rede mexicana Televisa.

Não tive a oportunidade de vê-lo em ação com o microfone em punho, mas certamente Bianchi deve ter agradado aos telespectadores.

Simpático e tranquilo, o treinador nunca foi de fazer média com ninguém. Tanto é verdade que sempre contestou alguns métodos de trabalho de Julio Grondona, o "Ricardo Teixeira da AFA (Associação de Futebol Argentino)".

Não fosse sua sinceridade nas críticas ao dirigente e certamente já teria passado pela seleção argentina (digo como técnico, pois como jogador, marcou sete gols em 14 apresentações com a fantástica camisa azul e branca).

Para minha alegria, Bianchi está hospedado no mesmo hotel que a equipe da Transamérica FM: o agradável Mapumgubwe Hotel, em Marshall Town, principal centro financeiro da maior metrópole sul-africana.

Na semana passada, ao encontrar Bianchi na recepção, pedi para tirar uma foto com ele.

Extremamente educado, Bianchi fez mais do que sorrir para minha digital. Ao perceber que eu era brasileiro, começou a falar sobre a eliminação do time de Dunga, lamentando o que chamou de "grande oportunidade perdida".

Para Bianchi, o Brasil poderia ter ido mais longe na Copa: "nós, argentinos, sabíamos que só chegaríamos à final ou mesmo à semifinal com um pouco de sorte. Sabíamos que a Alemanha tinha mais time. Mas o Brasil não era inferior aos holandeses. Tanto é verdade que dominou o jogo no primeiro tempo", analisou.

Concordei com o comentário e fiquei feliz ao poder, mesmo que por alguns segundos, discutir futebol com um profissional tão vencedor e competente.

Mas o simpático sorriso de Bianchi pouco serviu para a foto, como vocês podem notar abaixo.

A foto fez mais ou menos o mesmo que alguns times brasileiros quando tiveram o Boca de Bianchi pela frente na Libertadores: tremeu!

A sonhada taça em novas mãos!

A Holanda fez valer seu favoritismo diante dos uruguaios, jogou mais que o rival sulamericano e ganhou com justiça o direito de disputar pela terceira vez uma final de Copa.

A Espanha não era favorita contra a Alemanha. Tampouco era zebra. Porém, num duelo europeu programado para ser equilibrado, o melhor time do velho continente dos últimos quatro anos foi bem superior ao melhor time europeu das últimas quatro semanas.

A seleção alemã ontem não foi nem sombra do time que havia goleado Inglaterra e Argentina. Pior, nenhum zagueiro alemão viu a sombra cabeluda de Puyol chegando à área aos 27 minutos da etapa final.

O zagueiro do Barça fez seu primeiro gol na Copa e, pelo menos por enquanto, fez o gol mais importante da história de seu país.

Mas o gol poderia também ter sido de Iniesta, de Xavi, de Villa... Não faltaram oportunidades para a Fúria!

Fim do sonho do tetra para os alemães. Pela terceira Copa seguida, o time sofre a desilusão de chegar à semifinal e não levantar a taça!

Fica a esperança de uma grande equipe para voltar a sonhar em 2014. O Mundial da África deve ter sido o último de cinco ou seis titulares, mas tem tudo para ter sido apenas o primeiro de uma série dos jovens Müller, Ozil, Badstuber, Khedira e o goleirão Neuer.

Vale lembrar também que Podolski, apesar de duas Copas, muitos gols e algumas fases irregulares na carreira, só tem 25 anos. Ou seja, também poderá brilhar nos gramados brasileiros daqui a quatro anos.

Já a Espanha ainda tem quatro deliciosos dias para nem pensar na Copa de 2014. O inédito e perseguido título mundial nunca esteve tão próximo.

E como a Holanda também nunca foi campeã, um inédito título mundial será conquistado pela primeira vez depois de 12 anos (o último "novo campeão" foi a França).

E um inédito título mundial para uma seleção que não atua em casa será conquistado depois de longos 52 anos.

O último time forasteiro a conquistar seu primeiro título foi o Brasil, em 58. Desde então, só tivemos novos campeões ganhando em casa (Inglaterra, em 66; Argentina, em 78; e a já citada França, em 98).

Particularmente, fiquei feliz com a classificação das duas seleções. Não estava torcendo contra alemães ou uruguaios, mas acho ótimo que a mesmice tenha sido driblada em gramados sulafricanos.

Ao longo da história, húngaros, checos, suecos, portugueses e os próprios espanhóis e holandeses chegaram perto, mas sucumbiram diante dos ganhadores de sempre.

Desta vez, um destes últimos voltará a bater na trave. Mas o gol finalmente sairá para o outro. Teremos enfim um novo integrante no seleto clube dos grandes vencedores de Copas.